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sábado, 10 de outubro de 2009

Vida de (quase) médico - Acadêmico de Medicina

Hoje é feriado na maioria das Universidades, e na minha (Universidade Federal Fluminense - UFF) não foi diferente. Praia? Shopping? Viajar para ver minha família? Nem pensar! Aliás essa semana foi um presente para qualquer estudante. Feriado na segunda, aulinhas enroladas no meio da semana e feriado quinta, grudado na sexta.. ou seja, se contarmos a partir de sábado passado, são 9 dias de folga no meio do segundo semestre. Isso, para muita gente, não para mim! Ou melhor para grande parte dos acadêmicos de Medicina. Quando se faz plantão é que se descobre um grande fato trágico na vida dos médicos: Não existe feriado! Ou seja, se o feriado caiu no DIA do seu PLANTÂO, DANÇOU!! Você vai ter que trabalhar. Ainda bem que AMO meu plantão. Hoje, re-início do FERIADÃO número 2 da semana, e aqui estou eu, atolada de matéria para estudar, não bastasse isso. Na terça-feira, resolvi me presentear, fui ao salão de beleza cuidar dos meus cabelos, algo que me deixa MUITO feliz, não podia me dar esse luxo, de PERDER um tarde inteira no salão, adivinhem por quê? (Isso mesmo, acertou!) Eu tinha que estudar!. Bom, mas acabei indo, a cabeleireira deixou cair um produto químico fortíssimo no meu OLHO DIREITOOOOO!! Genteee, vocês não imaginam a dor que senti e o filme que passou na minha mente!! Pensei : Pronto, agora vou ficar cega, não vou conseguir mais trabalhar e estudar direito, vou demorar anos para me adaptar! Resultado: Conjuntive Química, muita dor, raiva, perda de tempo de estudo, remédios, aborrecimento, olho que não abre de manhã, muita dor na claridade, muita dor ao estudar e concurso no SÁBADO! Gente, hoje de manhã chutei o balde, fiquei 2 horas na academia relaxando, queimando calorias. E agora tá difícil de estudar, me ajudem por favor, alguém quer ler a matéria para mim??? Até maisssssss..

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Como escolher a profissão certa?

Dá até pena, o pobre adolescente, normalmente aos 17 anos, é praticamente obrigado a decidir o que irá fazer pelo resto de sua vida. Cedo demais? Acredito que sim. Pois pedir a um adolescente cheio de hormônios, angústias, indecisões, que decida como quer viver pelos próximos 50 anos, quiça 60, 70 como vemos alguns profissionais é algo um pouco covarde, mas que a sociedade impiedosa não se preocupa muito. Então, começa a jornada, cursinhos, vestibulares, ENEM, estudo, cansaço, incerteza, aprovação ou reprovação e, vai seu ano embora..No entanto, muito embora as angústias do vestibulando sejam muito familiares para mim, quero me ater apenas a uma: Como escolher a minha carreira?

Baseado em que devo escolher minha carreira? Aptidão. Ótimo, mas como sei que aquela minha mania maluca de ficar abrindo o liquidificador velho da vovó pode indicar que seria um bom engenheiro? Ou como ter certeza de que quero a Medicina realmente ou só estou entrando nessa porque meu pai/mãe é médico ou então por achar lindo salvar a vida das pessoas? O fato é que muitas vezes escolhemos a nossa profissão baseados apenas em admiração por determinada pessoa ou carreira, ou porque entedemos que aquela profissão nos trará retorno financeiro, prestígio ou temos ainda os que querem apenas ser famosos (para esses, com desejo tão profundo, mandem uma carta para o Big Brother). Não podemos nos deixar levar pela emoção, mas sim, pela lógica das coisas. Se eu gosto de Matemática e Física, não devo me enveredar por um área que não tenha nada de exato. Ou se amo ler e detesto número não posso acreditar que serei tão bom engenheiro como o vovô, por exemplo.

Para escolher a carreira é preciso auto-conhecimento, analisar as minhas matérias preferidas, buscar conselhos em quem confiamos, muitas vezes, as pessoas de fora nos conhecem muito melhor do que nós mesmos.E pensar, como quero estar daqui a 10 anos, como pretendo conduzir minha vida? O que mais valorizo: Fazer o que gosto? Bem-estar financeiro? Prestígio e status social? Fama? E o mais importante, nunca ter vergonha de mudar. Se entrou em um curso e não gostou, não tenha vergonha de voltar atrás, conheço profissionais que assim o fizeram e foram muito felizer em suas novas escolhas. Afinal, o importante nessa vida é ser feliz, e aos 17 anos o mundo ainda é muito pequenos aos nossos olhos.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Verdadeiro amor

É impressionante o quanto somos levados a pensamentos comuns e muitas vezes preconceituosos, julgamentos que não deveríamos fazer à luz do verdadeiro significado das palavras. Como o amor, por exemplo. O caro leitor deve estar se perguntando o porquê dessa minha pequena divagação. O fato é: os sentimentos de um modo geral encontram-se distorcidos, e essa distorção é transmitida o tempo inteiro, via revistas, jornais, televisão (principalmente), enfim, pelos meios de comunicação. E isso, tem mudado o ponto de vista das pessoas e tornado comum o que antes poderia parecer absurdo e vice-versa.

Há alguns dias estava em uma aula de trabalho de campo em um hospital, acompanhava um professor muito humano, fato que torna-se cada vez mais raro no meio médico, quando paramos em uma paciente que estava sendo alimentada por um homem. A senhora possui uma seqüela neurológica que a deixou com o lado esquerdo paralisado, com profunda dificuldade em deglutir, impossibilitada de falar e restrita a uma cama. O homem ao seu lado, tinha muita paciência, dava o alimento com calma, e dizia que ela era o amor da sua vida. Na mesma hora pensei que ele só poderia ser o filho dela. Afinal, era muita abdicação, só podia ser um filho. Mas, qual foi a minha surpresa quando soube que ele era o marido dela. Há 20 anos aquela mulher estava acamada, naquela situação, que aparentemente não poderia oferecer nada àquele homem, mas ele repetia o tempo inteiro:

"Ela é o amor da minha vida"


Realmente, esta mulher é o amor da vida desse homem. Amor é isso mesmo, abdicação, zelo, cuidado, atenção, é dar sem esperar nada em troca. O médico que a examinou antes de nós disse que ela não se comunicava, mas pudemos perceber claramente que eles se comunicavam sim, que ele entendia muito bem o que ela queria dizer. Isso é cumplicidade.

O que tentam neste mundo nos ensinar sobre amor é muito diferente disso. É um amor egoísta que sempre espera algo em troca, um amor traiçoeiro que se vinga no primeiro problema, um amor que não suporta nada, não suporta dividir um mesmo teto, não suportar dividir a conta, não suporta dividir os mesmos problemas, não suporta se quer um aumento de peso do companheiro. Dia desses ouvi um linda frase de uma esposa ao seu marido em um programa.

"Ou eu ou sua barriga"


Que grande amor! As pessoas hoje não tem mais paciência para cultivar um amor, "para me amar tem que me aceitar do jeito que eu sou", é a máxima. Pois para mim, quem ama tenta agradar o ser amado, mesmo que para isso tenha que mudar certos hábitos antigos.

Precisamos rever esse sentimento, onde foi que ele se perdeu nesse caminho. Naquele dia, me emocionei muito com esse casal. E, para minha surpresa, ao comentar com uma colega que eu estava profundamente emocionada, a pergunta que ela me fez foi: Com o que? Ela não conseguiu compreender a profundidade daquela cena. Isso é lamentável.

A caridade é sofredora, é benigna; a caridade não é invejosa; a caridade não trata com leviandade, não se ensoberbece, não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita o mal; não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. I Coríntios 13:4-7


Caridade é o mesmo que amor. Esse é o verdadeiro amor, qualquer coisa diferente disso, pode até parecer amor. Infelizmente, o que mais temos visto sobre amor é totalmente diferente, e por isso o mundo está dessa forma, famílias destruidas, homicídios, tristezas, dores. Deus é amor, e fora d'ELE não há amor verdadeiro.

Natalia Wanick

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Medwiki, uma enciclopédia de todos

O mercado de trabalho está cada vez mais competitivo, isso tem levado muitos profissionais e estudantes a atitudes ruins, muitas vezes anti-éticas, em busca da garantia de um bom trabalho. Um exemplo dessa busca incessante por destaque no meio acadêmico é o jogo do "esconde-esconde", onde a regra é: eu tenho um material/livro/artigo que considero importante e tento impedir que meu colega (concorrente) tenha acesso a ele. Porém, esse jogo não combina com a configuração que o mercado de trabalho está adquirindo. Se pegarmos como exemplo a área médica, vemos que o número de especialidade só está aumentando e com elas, a necessidade de trabalho em equipe, e esse, não combina de forma alguma com o tal "jogo do esconde-esconde".

Certa vez ouvi um professor dizer mais ou menos assim:

"Nada melhor do que ensinar para me tornar um mestre.Quando ensino algo a uma turma de alunos, me torno o mestre deles. Passo a ser a referência profissional nessa área, e quando alguém precisa de um especialista bom no que ensino, certamente sou o primeiro na mente de meus alunos, e você sabe quantos alunos eu tenho?".


Achei tão interessante isso. E não é que é verdade! Sempre que olho para meus professores, imagino que sejam os melhores naquilo que fazem. É claro, se estão ensinando, é porque sabem muito. Parece um raciocínio simplório e infantil, mas muita gente não pensa dessa forma e fica por aí brincando de "esconde-esconde". De igual forma, quando sei que algum acadêmico é monitor, já imagino que se trata de uma aluno competente e que domine aquele conteúdo. Agora, se estiver enganada a respeito de algum monitor, ou professor, o trabalho realizado por eles é que me mostrará a verdade. Acredito que se alguém está numa grande empresa, ou cheio de cliente/pacientes, sendo bem remunerado não é porque escondeu material, conhecimento, propostas de estágio, cartazes de cursos/concursos, mas por ter se dedicado, trabalhado, esforçado.

Essa mentalidade precisa ser mudada, é preciso divulgar conhecimento, ensinar o que se sabe, e é com essa intenção que o Medwiki foi criado. Formado nos moldes da Wikipédia, ou seja, uma enciclopédia livre, construida por voluntários, podendo ser copiada e modificada desde que seus direitos de cópia e modificação fiquem preservados, o Medwiki veio para tornar ainda mais fácil a divulgação de material entre os acadêmicos de Medicina. Ao contrário do que alguns possam pensar, não é um local para escrever opiniões médicas e sim, para divulgação de conhecimento. Desenvolvido por estudantes, professores, médicos, nutricionistas, odontólogos, enfim, profissionais da área médica que desejam tornar-se mestres para seus leitoras. É com essa mentalidade de construir conhecimento em comunidade para superarmos essa fase de "esconde-esconde" e formarmos uma mais cooperativa e constritiva que surge o projeto Medwiki.

Natalia Wanick

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Existe algo mais doce que uma criança?

Existe algo mais doce que uma criança?

Na última quarta, recebi uma das minhas melhores notícias acadêmicas, cheguei à Emergência Pediátrica e, enfim, meu estágio poderia ser iniciado. E, melhor ainda, naquela mesma hora. Coloquei meu jaleco, peguei meu estetoscópio e iniciei meu trabalho. Foi uma das experiência mais incríveis que vivi na Medicina, quase tão incrível como na minha primeira anamnese, experiência que conto a seguir.

Conversei com várias crianças e mães, e não há nada mais gratificante do que ver o sorriso estampado no rostinho daqueles seres tão especiais. Um garotinho com suspeita de Síndrome Cerebelar divirtiu-se muito ao me ver desenhar bolinhas em meu pequeno bloquinho de anotações. Alías, falando em bloquinhos, podem ir se acostumando a me ver escrever no diminutivo, é uma mania de Pediatra (e futuros pediatras) que possivelmente carregarei, sem vergonha, por toda a vida. Voltando ao menino das bolinhas, pude notar o quanto pequenas coisas alegram uma criança. Aliás, esse é meu maior objetivo na Medicina, levar uma palavra de esperança, de alegria. Pois existe um momento em que os recursos médicos terminam, mas a alegria, a esperança, a fé não tem limites, e é isso que também quero repassar aos meus pequenos pacientes.

Esse assunto me lembra de um menininho da emergência, ele não me deixava de modo nenhum examinar o seu abdome, conversei, pedi, supliquei e nada. Mas tudo bem, convencer um menino de que uma desconhecida deve mexer em sua barriguinha não é nada fácil. E sua mãe, vendo uma gravura na sala, me contou que ele ama pipas, e foi aí que desenhei uma pipa para ele. Fiquei até com vergonha, sou uma péssima desenhista. Mostrei a ele, ele sorriu timidamente, continuamos o atendimento.

A mãe e o pequeno foram tirar uma radiografia de tórax, soubemos pela mãe que esse menino tem uma doença chamada Fibrose Cística. É uma enfermidade muito grave e o portador possui uma baixa expectativa de vida. Fiquei olhando aquele menino, tão pequeno e com uma doença tão difícil. Mais tarde, quando ele ia embora, vi que segurava com as duas mãos o desenho que fiz para ele. Carregava como se fosse algo importante, pois é, talvez até tenha sido. Isso me emocionou na hora, pude ver o quanto pequenas ações, para uma criança, são tão significaticas. Ficou como uma lição, fazer uma criança feliz é algo tão simples, e é isso que quero em minha profissão, cuidar do corpo e do "coração" desses pequeninos, tão especiais para mim e tão especiais para DEUS.

"Jesus, porém disse: Deixai os meninos, e não os estorveis de vir a mim; porque dos tais é o Reino dos Céus." Mateus 19:14


Natalia Wanick

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Medwiki

Olá gente,

Essa é a minha primeira postagem e gostaria de falar um pouquinho sobre o Medwiki, cujo link se encontra no blog. Trata-se de um projeto de documentação livre para estudantes e profissionais da área de saúde, incluindo acadêmicos de Medicina, grupo em que me encontro.

Quando o David sugeriu a criação desse Wiki médico, logo abracei a idéia e hoje o utilizo para estudar e tentar passar o meu modo de entender o conteúdo.

Hoje, uma amiga e colega de faculdade, numa aula de Pediatria (por sinal, a melhor e mais linda especialidade da Medicina) disse algo muito interessante:

Os nossos professores nos querem decorando conteúdo e isso eu não concordo.


Eu também não. Quando escrevemos e interpretamos aquilo que estudamos, conseguimos apreender e memorizar o conteúdo. E, nesse ponto, o Medwiki nos proporciona uma experiência muito bacana, pois ao mesmo tempo que podemos transmitir conhecimento, cimentamos aquilo que aprendemos na sala de aula, com os pacientes (que tem muito a nos ensinar) e com os livros (nossos inseparáveis colegas).

Bom, por hoje é só isso... Entre no Medwiki, o wiki médico, e divirta-se.

Natalia Wanick